Inserido no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), a 10 km do centro da cidade de São Paulo, o Jardim Botânico paulista foi criado com o objetivo de coibir a degradação ambiental na região. Com uma área de 526 hectares, dos quais 345 são ocupados por vegetação remanescente da Mata Atlântica e cerca de 36 hectares destinam-se à visitação, o parque proporciona a seus visitantes lazer e entretenimento de forma a despertá-los para a importância da preservação do meio ambiente.
Integrado a terceira maior reserva de mata nativa do município, o parque possui 24 nascentes de água e dois aquíferos – formações geológicas que armazenam águas subterrâneas. As plantas passam das 27 mil espécies, sendo que, 20 tipos delas, como por exemplo, as bromélias, foram resgatadas da extinção. Há ainda palmeiras de quase um século, orquidário, túnel de bambu e uma réplica do Jardim Botânico de Lineu – jardim de inspiração renascentista, localizado na Universidade de Uppsala, na Suécia.
O Jardim conta também com um Museu Botânico idealizado por Frederico Carlos Hoehne – botânico autodidata e um dos primeiros especialistas em orquídeas no Brasil – e reúne em seus 150 m2 um conjunto de aproximadamente 1,3 mil espécies de plantas secas e herborizadas, acompanhadas de rótulo com informações para pesquisa, dispostas de acordo com seu ecossistema que variam entre mata atlântica, cerrado, mata ciliar, manguezal e vegetação litorânea.
Para os “aventureiros”, o local oferece duas trilhas. Uma, em terra firme, é circundada pela mata nativa de ponta a ponta. Outra, suspensa, percorre uma reserva da Mata Atlântica e leva o visitante à nascente do córrego Pirarungáua, um dos afluentes do Riacho do Ipiranga, palco da independência do Brasil. A estudante de fotografia Luciana Cardoso, diz estar surpresa com a presença de uma nascente em plena metrópole. “Lá em Minas, onde eu fui criada, tem tudo isso, mas, aqui em São Paulo, eu nunca tinha visto. Achei interessante, porque tem gente que não conhece”, justifica-se a mineira.
A fauna também tem lugar nas dependências do Jardim e alguns animais fazem do espaço seu habitat natural. Há mamíferos como o Bicho-Preguiça e o Bugio-Ruivo – espécie de primata nativo do Rio Grande do Sul – que ocupam as altas copas das árvores, além de mais de uma centena de pássaros que coabitam no parque. Nos lagos, peixes e patos passeiam sem se importarem com os “intrusos” visitantes.
Apesar dos ares de parque convencional, o diretor do Centro de Pesquisa do Jardim Botânico e Reserva Luiz Mauro Barboza, faz questão de enfatizar. “Os Jardins Botânicos se diferenciam dos parques por uma razão: eles têm a missão de conservar a biodiversidade e educar o cidadão”, explica. Neste contexto, não é permitido andar de bicicleta, patins e afins, em suas dependências.
Segundo Barboza, por se tratar de um jardim, a melhor ocasião para visitar o local é durante a primavera, em especial, nos meses de novembro e dezembro, quando a flora é tomada pelas flores e seus respectivos perfumes, mas, faz uma ressalva: “A qualquer momento o Jardim é muito bonito. Por isso, é sempre bom visitá-lo”.
(Matéria publicada no jornal laboratório Expressão, da Universidade São Judas Tadeu, em dezembro/2010)

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