Criadas para representar os torcedores e ser porta-voz junto à diretoria dos clubes de futebol, as torcidas organizadas têm presença constante nos estádios e, dentro desse reduto, por meio de músicas que são verdadeiras declarações de amor, fazem o que sabem melhor: incentivam o seu time de coração.
Entoadas da geral às numeradas, essas canções surgem em rodas de amigos nos bares, na euforia dos ônibus a caminho do jogo ou até mesmo nas arquibancadas no decorrer da partida. "Um toca e o outro acompanha", explica o vice-presidente da torcida são-paulina Independente Genildo da Silva. "Geralmente, o pessoal pega o ritmo de uma música já existente e vai desenrolando”, acrescenta o palmeirense Cristian Araújo.
Embora a maior parte das letras surjam em coletividade, há quem escreva sozinho, como Mauro Cesar Dilai, mais conhecido como Mauro Pirata. Acostumado a compor sambas-enredo, Pirata, que é palmeirense fanático, já compôs mais de 15 músicas para o verdão. "Eu entro no meu quarto, pego o meu cavaquinho e escrevo".
Todo torcedor pode dar sua contribuição. Basta criar uma música e entregar em uma das sedes das torcidas organizadas. Porém, nem todas as letras caem nas graças da galera. O segredo do sucesso, segundo Pirata, é fazer músicas curtas. "Têm umas que não rolam nas arquibancadas por serem extensas. Elas precisam ser curtas, além de passar sentimento para a torcida", esclarece.
Apesar de refletir alegria e explanar o amor do torcedor pelo clube, nem sempre as músicas são feitas num momento bom para o time. Exemplo disso é a canção "Louco por ti Corinthians", que caiu nas graças da fiel no final de 2007 - ano em que o Corinthians foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro. "O Corinthians vinha em uma fase ruim. Um rapaz levantou um cartaz escrito 'eu nunca vou te abandonar porque eu te amo'. Daí a gente entrou com a melodia", explica o tesoureiro da Gaviões da Fiel, Claudemir Antônio Teixeira.
Sobre os direitos autorais e a comercialização das músicas, os torcedores respondem em uníssono: não pretendem obter lucro. "Acho que a torcida do Corinthians não nos perdoaria se ganhássemos dinheiro em cima da paixão do torcedor", afirma Teixeira. Pirata vai ainda mais fundo: "A música é como filho, a gente cria para o mundo".
(Texto publicado no jornal "Expressão", da Universidade São Judas Tadeu, em maio de 2010)

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